Pedro Demo é professor do
departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). PhD em Sociologia
pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, e pós-doutor pela University of
California at Los Angeles (UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia
e Educação. No mês passado esteve em Curitiba para uma palestra.
O tema de sua palestra é “Os desafios
da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”.
Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
A escola está distante dos desafios
do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado,
elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm
acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos
ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas
alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita
importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar.
Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet,
escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI –
tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias
crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que
devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas
não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem
nosco”.
A linguagem do século XXI envolve
apenas a internet?
Geralmente se diz linguagem de
computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se
fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está
em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto
impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os
outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns
são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o
avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar
regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca
desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto:
o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a
criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas
quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de
aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida
da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas
da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa
na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é
que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se
tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem,
texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm
que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma
tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo
outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É
muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete
anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem
animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas
crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Então a escola precisa mudar para
acompanhar o ritmo dos alunos?
Precisa, e muito. Não que a escola
esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós
temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI,
que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na
lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600
anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para
mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor,
porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor
– ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a
tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal.
Qual é a diferença da interferência
da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de
Gutenberg?
Cultura popular. O termo mudou muito,
e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que
as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto,
veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha,
palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é
arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa
desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a
criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na
internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde -
e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça
diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar
muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é
flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe
um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet
são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são
muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do
melhor nível).
Qual a sua opinião sobre o
internetês?
Assim como é impossível imaginar que
exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As
sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por
interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o
texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança
que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida
também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português
gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma
única maneira de falar, existem várias. Mas com a liberdade da internet as
pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português
porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem
isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português
correto.
O senhor é um grande escritor na área
de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu
preferido?
Posso dizer uma coisa? Eu acho que
todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há
livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e
não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços),
que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não
considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos,
depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu
publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o
ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar
aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da
linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e
os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não
acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor
dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí
entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de
quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer,
vai ser mais maleável.
Então o professor gosta de dar aulas
deve mudar esse pensamento?
É um grande desafio: cuidar do
professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente,
não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor
que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja
tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que
participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola,
ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande,
intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o
professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor
produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem
que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz -
essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar
lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de
todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas
cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também
nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a
altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola –
sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.
O tema de sua palestra é “Os
desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”.
Os desafios da linguagem no
século XXI - Pedro Demo
Segundo Pedro Demo "A linguagem do século XXI – tecnologia,
internet – permite uma forma de aprendizado diferente." A escola ainda
está dando os primeiros passos em relação ao uso da tecnologia enquanto lá fora
a criança está em contato direto com diferentes formas tecnológicas. Ainda no
pensamento de Demo "Os métodos pedagógicos
necessita reinventar novos professores , que demonstrem uma visão diferente, não na metodologia de aulas, mas que seja de certa forma tecnologicamente correto. Que desenvolva
novos pensamentos e linguagens de fácil assimilação, que use a tecnologia, tenha blog, que seja mais participativo desse mundo virtual – isso é fundamental e faz
a diferença."
No que diz respeito a uso de novos métodos
tecnológicos, abre uma grande possibilita de elevar e encarrarmos nova postura, uma identificação diferente aos métodos
de aprendizagem praticados ao longo
destes anos, e de certa forma já estão arcaico,
a estagnação em quere se atualizar, não pode ficar desta maneira, tem que abrir
mais espaço a novos método , tem que ser mais interativos, e com isto, a
metodologia de aprendizagem do aluno se adaptara de certa forma mais realista possível
e consequentemente, o aluno vai despertando um interesse maior em aprender consequentemente de forma mais
concreta possível. Para que isso ocorra, todos os educadores que se se dedicar mais,
impor um esforço maior, a necessidade que tenha uma sintonia por parte de todos
envolvidos, para isso tem que ter uma atualização constantemente se, buscando
novos conhecimentos se aperfeiçoando de tudo que há de novidade na educação , Pedro
demo diz "É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar
para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua." Ou seja,
tudo isso passa por investimento em educação e principalmente investimento no
PROFESSOR


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